O acaso fez com que nos encontrássemos na Espanha – Galícia – A Coruña.

Após termos atuado em diversos teatros de ópera, salas de concerto e auditórios, festivais e encontros artísticos de renome, sobretudo na Alemanha, e nos últimos anos também na Espanha, a Carmen Durán, soprano lirico spinto, premiada cantora lírica de sólida formação técnica e musical, e ao autor destas linhas, surgiu-nos há mais de um ano o desejo de buscar novos campos de atividade artística… e para isso entramos em contato com o renomado pianista de jazz, compositor e arranjador Alberto Conde, professor do Conservatório Superior de Música de A Coruña.

Fomos recebidos de braços abertos, com grande espontaneidade, enorme entusiasmo e inteira disposição para começar a organizar imediatamente um projeto musical juntos. Nosso objetivo primordial era, por motivos óbvios ligados ao nosso gosto pessoal e a anteriores experiências com a calorosa recepção por parte do público e da crítica, mormente na Alemanha, explorar o riquíssimo campo da música brasileira, se possível com um enfoque jazzístico, moderno, distinto do âmbito clássico a que estávamos habituados.

Já nos primeiros contatos em busca de repertório adequado fomos descartando de comum acordo, e por evidentes razões musicais, ligadas à interpretação e à enorme proliferação de trabalhos existentes nesse âmbito, a ideia de entrar no campo da bossa-nova e adjacências.

Na Alemanha já tínhamos participado (Carmen Durán e eu) de numerosos concertos e recitais clássicos incluindo a Villa-Lobos, Lorenzo Fernández, Mignone, Camargo Guarnieri, Osvaldo Lacerda, Valdemar Henrique, Cláudio Santoro, e por acréscimo a Luís Bonfá, Tom Jobim, Chico Buarque, Toquinho e outros monstros sagrados dessa genial espécie.