BACHIANAS BRASILEIRAS nº 5 * Spiegelsaal Prinz Carl * HeidelbergAo provar, entre outras obras primas, a Ária das Bachianas Brasileiras No. 5, que Carmen Durán já havia cantado em distintas ocasiões, primeiro no Festival Internacional de Primavera, em Heidelberg (Musikfestival Heidelberger Frühling), com acompanhamento original de 8 Cellos da «Philharmonisches Orchester Heidelberg», repetida em várias outras oportunidades e em recitais com acompanhamento de piano e violão, de imediato notamos que a solução era concentrar-nos na obra de Villa-Lobos e montar um programa completo, como um desafio artístico de tributo a essa figura sem par da música brasileira.
De obra em obra e de experimento em experimento acabamos fixando um programa com 6 originais de VL, magistralmente arranjados por Alberto Conde, juntando-lhes 4 peças de sua autoria, com textos criados também de forma especial e exclusiva para este projeto.

Por último não seria de todo supérfluo observar que o próprio método de composição de Villa-Lobos e seu personalíssimo conceito criador parecem convidar-nos a buscar toda a sorte de possibilidades que suas geniais invenções e proposições harmônicas nos proporcionam com o objetivo de revitalizar sua obra, ou no mínimo certas facetas da mesma, levando em conta nossas condições técnicas e interpretativas, ou seja, fora do âmbito clássico de um conjunto de instrumentos como um quarteto de cordas, os 8 violoncelos das Bachianas nº 5 ou uma orquestra sinfônica e coro mixto dos Choros nº 10, mas com a clara intenção de uma proposta seguramente válida de aproximação artística.
Heitor Villa-Lobos (que em vida e mesmo depois tão pouco reconhecimento público/oficial obteve no Brasil), em seu incansável entusiasmo e prodigiosa abertura de mente, com toda certeza não só nos daria sua bênção mas também seus mais calorosos aplausos.

Assim o entendemos e pretendemos, em nossa forma de sentir sua música, tentando interpretá-la «num novo estilo/caminho».

Assim o esperamos, respeitosamente inclinados ante o gênio, brasi­leiro e universal. E corajosamente ante o público interessado.

(© JRBustamante, 2012)